Tuesday, December 08, 2009

Gosto da firmeza frágil das tuas ideias ou A rotina do banheiro


As delícias que eu tive de você não entraram só na carne, meu amor.
Foi mais fundo: foi mais forte.
Eu não tenho culpa se meu corpo, como ele é apresentado ao mundo, não preenche todos os requisitos para o teu tesão.
Os meus buracos são sinceros mesmo assim.
O que eu poderia alegar em minha defesa são os argumentos do meu gênero:
Tenho que me resignar ao destino?
Tenho que me resignar à biologia tortuosa que em mim perdura?
Tenho que me adequar ao aceitável desejo de ser mulher honrosa e reprodutora?
Onde ficam as impressões sensíveis, ou a criação, a partir delas, dos sinais que constroem a linguagem?
As palavras não podem conter tudo.
Imagens e simulacros são meu desejo de ser compreendida.
E amada.
Assim como a tua lembrança - infinita - que me habita corpo, coração e mente.

Friday, October 02, 2009

Hoje, quando ele meteu - eu estava louca de tesão e quase implorava para ele entrar de uma vez - , não foi com força.
Foi suave, batendo levemente nas bordas, nas paredes internas úmidas e deixando a sensação gostosa de que ali era o lugar ideal dele: bem no meio dos meus sucos.
O meu centro reconhece prazer e amor, e estabelece automaticamente as distinções. Como se se tratasse mesmo de um humanóide histérico e mal programado, sempre planejando a junção idílica de ambos.
Quando eu penso na quantidade de homens para quem eu dei nessa vida, a historicidade minuciosa se faz necessária. A listagem dos dez mais já não importa; as melhores gozadas foram, em geral, involuntárias e nem um pouco premeditadas. Aconteceram assim: quando a decisão de alguém se abateu sobre o meu corpo e o revirou.
Nem sempre o amor veio junto, é claro. Nem sempre as minhas preferências vieram junto.
Amar ainda era algo que meu corpo estava para descobrir, mesmo que a quantidade de paus entrando e saindo já formasse uma boa torcida de futebol.
Com alguns eu gozei rápido, ligeiro, sufocando a necessidade de ser amada; outros me deram mais tempo para o balanço e o movimento se esvaía quando eu já não conseguia mais controlar as pernas. Alguns me chuparam e em sua língua eu despejei litros do meu prazer secreto recém descoberto, ainda que o amor que ali faltava não fosse percebido pelos olhos do companheiro complacente. Outros eu chupei como criança encontrando bala escondida, outros com desconfiança, outros, ainda, com medo puro.
Meu corpo veio para o deleite do mundo. Mas todo corpo vem para isso; todo corpo é igual, funcional, prático e sem rodeios. Os apêndices e buracos ficam sempre exatamente nos mesmos lugares em todo mundo.
O amor não.
O deleite maior da minha mente, aquele com o qual todo gozo se torna completo, eu só viria a conhecer muito tempo depois.

Monday, August 03, 2009


"O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor sobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.


O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome."

Saturday, July 04, 2009

É melhor envelhecer do que viver tudo de novo. Isso também não é meu - Plágio! Mas nunca falei qualquer coisa que fosse inteiramente minha. Tenho dúvidas sobre a originalidade, assim como tenho sobre estruturas estatais. Estamos submersos em um off, mergulhados em um grande e brutal intertexto, o intertexto do primeiro primitivo, a paráfrase da pré-identitariedade. Sento em um sofá, maciez em excesso, relaxo e afundo. Sinto como se a minha pele fosse um corpo mais aderente, meus músculos envolvem as almofadas, sou uma trepadeira acoplada a milênios no coro da "velha sapa gorda". Minhas raízes, folhas, ramificações se alastram. Ora, se faço parte do mundo é para roubar e incorporar ao meu danificado e velho discurso.

Monday, June 29, 2009

Dançando na Lua

A dor de não pertencer ao corpo, à mente, à cor, à raça, ao gênero, à atribulada condição humana.
E ainda assim ser lenda e dançar na lua!
Qualquer um cujo sonho seja dançar na lua tem o meu amor incondicional e eterno.

Saturday, June 20, 2009

My Lovely Rita


Alto falante

Rodando.

Todas as Rutes introduzem agulhas de tricô em suas vaginas. Rute 1 | Minha pele é minha prisão. Eu me basto. Não preciso de nenhuma cópia de mim ou, o que é pior...


Rute 2 | Uma cópia dele.


Rute 3 | Quero extirpar de minha carne o que quer crescer. Não agüento mais... Vai mais rápido, garota, ou me escorre tudo pela calça.


Rute 4 | E devorar a minha carne e beber o meu sangue. Meu sangue como catchup, sangue espesso, vazar como um balde furado. Conduzo minha cena ao fim no coração do continente morto.


Rute 5 | O que está batendo aí? Será meu coração ou já será o outro? Ao Paraíso cinco mulheres executadas. Fêmeas. Mulheres. Bucetas. Buracos. Covas. Túmulos. Cadáveres. Falar a favor de uma geração morta... Ah, mas ah, antes dos pais morrem as filhas. Patos. Catchup. Continua chovendo. Quero estar só.


Rute 1 | Qualquer pesar em que a memória insista

Recorda a nossa angústia. É uma aflição.

E eu vivo a repetir. Longe da vista...

Longe do coração...


Rute 3 | Quando estou falando de mim mesma e quando ele está falando de mim mesmo, todos nós estamos falando de mim.


Rute 5 | Vejam: ela tirou a roupa e foi para a fama.


Rute 4 | O Reynaldo Gianecchini fez permanente. Ainda assim, a Marília Gabriela continua apaixonada por ele.


Rute 2, debochando, com raiva | Amélia!


Alto falante [Voz metálica.]


O fato ainda não acabou de acontecer e já a mão nervosa do repórter o transforma em notícia. “O marido está matando a mulher. A mulher ensangüentada grita”. A sensualidade esvoaçante em caminhos de sombra e ao dia claro de colinas e angras, no ar tropical infunde a essência de redondas volúpias repartidas. Em torno da mulher o sistema de gesto e de vozes vai-se tecendo... Não entendo nada de arte. Prometi demais? A dor de um sexo num par de olhos.

Thursday, May 21, 2009

AMOR LOUCO


O paraíso é foder como uma bilionária.
Sem pêsames, sem pejo, sem morte.
É deixar os olhos correrem o rio nunca antes visitado. É falar com estranhos. É meter com estranhos altos & morenos em ruas escuras. É se deixar penetrar pelo puro prazer do momento, sem histeria, sem dó, com fanfarra, sem pensar no futuro. O futuro, aliás, deveria ser apenas uma consequência fluída de um contexto pré-estabelecido. O paradisíaco futuro das crianças que se masturbam & se deixam livremente masturbar. O fogo-fátuo dos assassinos sedutores, a boca aberta das voláteis donas de casa em douradas cintas-ligas cheias de comoção futura. O bico do peito endurecido por ter visto um pênis grande de macho. As tripas sangrentas do filho incestuoso de Tiamat. As filhas fodidas pelos pais, os irmãos que se comem em inequívoca congregação da nova carne futura. Os estilhaços da noite, as cascatas de luz fulminante, o imponderável desejo desconhecido.
A justiça não pode ser obtida por nenhuma lei que seja.
Os crimes reais não podem ser cometidos contra o "si mesmo" ou o "outro", mas apenas contra a mordaz cristalização de ideias em estruturas de Tronos & Dominações venenosas.
Porque todo o dinheiro gasto com a beleza será alquimicamente transformado em elixir. Mas não libertinagem estúpida, & sim crimes exemplares, estéticos: crimes por amor.
& porque eu gosto de pau grande, sim.
;)

Wednesday, April 15, 2009

purpose


Eu não sei por onde vou e pretendo. Mas vou.
Eternamente insatisfeita, repetitiva, idiotizante em Curitiba.
A fama é uma estrutura particular de derretimento sensorial, pouco prática, muito erotizável.
Eu tenho um amor gordinho, quentinho, provocante, mas não sou dona dele. Um ódio instaurado pelo patriarcado e pelo capital e amo bolacha recheada de chocolate e Coca-Cola (não, não ponho a Coca-Cola no mesmo pacote do resto). Uma "família" confusa, desapegada. As mãos comidas.
Me masturbo na beirada da cama, com as pernas abertas, como cachorro que fodesse a cama. Os rapazes, os maridos bonitos das outras, os meninos, os velhos, os primos, os sobrinhos. Sinto um desejo enorme. Um tesão que não consigo controlar. Uma busca interminável pela nova atração do dia. Talvez da vida. Gosto de sentir o pau entrando em mim, enfim.
Amigos que me dizem as verdades e as mentiras que preciso ouvir. E, ah, eu me manifesto, escrevo para teatro. Teatro? Já nem sei mais o que isso seja... Pós-pós-pós-pós-pós.
Talvez algum dia eu tenha filhos. Talvez algum dia eu transmita pelo sangue ('pelo sangue?', açoita-me a biologia neurótica) o legado da indigência humana.
Bato fotos, que se divulgam sozinhas. Bato palmas, poucas mas bato.
Sei que não se trata de fazer sentido efetivo e sim buscar algum. Por isso gosto de entrar na vida das pessoas para perturbar o estabelecido. Reinventar o efetivo. Reelaborar o positivo.
O bolso está esburacado. O cabelo é loiro, mas eu não sou uma sex doll. O fetiche entra na gente como papel social. Eu apenas aproveito.

Talvez - e somente talvez - eu seja mesmo romântica.

Monday, March 16, 2009

LOS JUEGOS PROVECHOSOS no Festival de Curitiba 2009

as intrigas, o látex e os automóveis irremediavelmente à vista!


LOS JUEGOS PROVECHOSOS
incríveis réplicas de dinossauros robotizados em tamanho natural


Dias 20/03/2009 às 21 horas, 21/03/2009 às 24 horas (meia-noite), 27/03/2009 às 21 horas e 28/03/2009 às 24 horas (meia-noite)
Local: Rua XV de Novembro, Boca Maldita


*****EXTRA EXTRA EXTRA*****
Léo Glück Live In Moscow, de Léo Glück e
Salmon Nela, de Giorgia Conceição
Dia 27 às 15 horas
Local: TEUNI - Universidade Federal do Paraná
***ENTRADA FRANCA***

Monday, March 09, 2009

LE MAGNIFIQUE NOUVELLE DE LA PASSION no Festival de Curitiba 2009!


O movimento impetuoso metamorfose/sexo/escárnio lança o Zeitgeist à transgressão da carne.
Espíritos absolutos e irascíveis calam-se ao contemplar o lado negro da lua.
O silêncio que antecede a revolta.




FESTIVAL DE CURITIBA 2009
FRINGE - Mostra Novos Repertórios
Dias: 19.3 à meia-noite, 22.3 às 18 horas, 23.03 às 21 horas,24.3 à meia-noite, 25.3 às 18 horas, 26.3 às 21 horas e 29.3 à meia-noite
Local: TEUNI - UFPR

Tuesday, March 03, 2009

The Seven Giants

Then I left the first giant and ran

What I saw was a bunch of leopards coming after me

Since I had no voice all I had to do was fall down

My face against the sands

My eyes couldn’t get opened

Until I had a Coke to drink

And I drank

And I drank

And I was eating meat

And meat was eating me

It was eating my legs and I liked it

I was happy and crying

I cried for love

I cried for hatred

And I saw digital pieces of myself running away

And I laughed

My hair was dark and I was such a huge princess

And my armed guard was cutting off my tongue

And I blinked

I blinked

He came into me I came unto him

God knows what

All the water inside of me was boiling

And my hands were flying

I was a happy child then

Then it all stopped

All at once

And I was cooking bananas and fighting off the second giant

He was puking at my face and I saw the world in green

My eyes were green

And he slapped my face

And I fell down

Right to the floor

And I liked it

The third giant was weak

And I slapped all over his face

I perforated his eyes and he bled

And bled

And bled

And I liked it

Then I drank all his blood and went ahead

Then I did away with his cock and left him with nothing good

And went ahead

Then I saw the fourth giant come

And he was armless

And then I thought where the hell do these giants come from?

And he asked me for help

And I slapped him in the face

Then a bunch of lizards started to follow me

And it was an island

And there was no coffee

My skin colour was the same as theirs

And I was a lizard

And I blushed

They wanted me

I shot them all

And they didn’t die

Then I saw the fifth giant among them

And he was like a drag

And I thought God help me

But God didn’t come and I ran

Ran Ran Ran For My Life

Then I was on my knees trying to pray

When the giant kicked my back

And I fell

And I liked it and I went mad

Everything was spinning

My head was spinning like a wheel

And then I was peeing

And then I was pooing

And then I was fussing

From where the sixth giant came

And I laughed a lot at his face and he slapped me

And tried to rape me

But he was not that allowed

And he cried

And cried

And cried

And I smashed him in my hands and ate him

And the seventh giant came from my throat

And I felt he didn’t exist

I felt my throat didn’t exist

I could see that this world didn’t exist

My voice and my hair didn’t exist

My eyes didn’t exist and I fell down

Right to the ground

And there I stayed for long and long

And there didn’t exist

And the ground didn’t exist

And I didn’t exist

The gun and the tongue didn’t exist

My dreams didn’t exist

And then I sat down and tried to reorganize my ideas.



Tuesday, February 24, 2009

Saturday, January 31, 2009

Hoje acordei totalitária



Preciso me reerguer da morte, pensei eu, as pernas bambas.
Não quero ser uma cínica em um mundo de antílopes tropicais, os músculos já se tinham acalmado, a abertura ínfima já se tinha cortinado novamente.
Todos os descendentes estariam irreparavelmente comprometidos.
Pensei na burrice da reforma ortográfica, nas mãos de milhares de homens que construíram o mundo, em suas pequenas masturbações conjuntas.
Ser aplaudida de pé não me basta mais. Agora quero de joelhos!
Quero todos os buracos arrepiados de uma só vez, em uníssono.
Quero a dupla penetração. Um já não me faz satisfeita.
Quero a morte categórica dos velhos, das crianças e dos pobres-diabos. Torço pelo fim glorioso da raça. Tenho predileção pelos degenerados. A liberdade não é uma idéia.
Eu te roubo o rim sorrindo-te na cara flácida. Eu mato a tua prole bebendo da tua bebida espúria.
É assim que sou: lourinha por conveniência, pela raridade. Pelo assassínio puro da cor.
Eu obrigo os povos a me obedecerem cegamente, quando é pão velho e bolorento o que lhes ofereço. 
A diferença em mim é substancial e evidente, sou palavra coroada. Prego o êxito das doutrinas destruidoras, o preço do ouro e as guerras econômicas enquanto é pelo rabo que gozo meu jato de sangue ímpio.
A verdade do povo não é minha verdade.
O Anticristo virá através de meu corpo sedento de amor.
Cada uma de minhas vítimas, diante de Deus, vale milhares de cristãos. 

Tuesday, January 13, 2009

'' segue o crepúsculo sem solavancos, eu me solto na beirada. Faço sem fluência o malfadado percurso dos deuses. Me adianto às respostas negativas e estapeio a cara da necessidade...

Cada tiro único eu dei no pé. Eu acerto em cheio a boca da morte sem pedir socorro. Em mim, tumba coberta de pó secular, ninguém aposta no jorro sangrento da vida.''