Monday, July 23, 2007

Quero escrever o borrão vermelho de sangue


Quero escrever o borrão vermelho de sangue.
Com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez.
Que não me entendam pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei.
Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.

Thursday, July 12, 2007

pernas longas não vão muito longe








Por que me sinto medíocre? Por que me pus a escrever qualquer coisa, assim, mediocremente?

Ora, que seja...

Assim estou! Assim me encontro. Escrevo para não adoecer, o papel sempre foi meu melhor amigo, e amante.

Estupidez, encontrar fluido vital nas palavras de gente morta.

Estupidez, querer para mim o que pertence ao mundo.

Estupidez, achar que qualquer coisa outra exista que substitua o afeto. O Simples Afeto.

Tristeza é sorrir por imaginar a tristeza longe.

Tristeza é querer a paz quando só houve guerra.

Tristeza é acreditar na segurança própria.

Tristeza é não aceitar somente o afeto.

Meu medo é descobrir-me a mim mesma, é descartar qualquer possibilidade vinda de mim, é negar que a pessoa mais importante para mim sou eu.

Quero amar, mas não cegamente.

Quero meu amor livre.

Quero meu coração enternecido por ver a liberdade do meu amor.

Quero ser livre.

Quero amar tudo que vejo. E viver ainda um pouco para poder contar.

Quero meu coração dividido igualmente nos pratos de sopa dos mendigos, aquecendo a vida intensa das ruas.

Quero poder me enxergar nos olhos frios do mundo.

Saber dividir meu amor profundo.

Tuesday, July 10, 2007