Thursday, May 30, 2013
Com o relho no lombo de mulher
Saturday, April 20, 2013
O Onipotente
Deus são as leis do universo. Deus é o cosmos se movimentando. Deus são as galáxias cheias de anéis. Deus são as estrelas ascendentes, cadentes. Deus é gás. Deus é poeira. Deus é buraco negro que a tudo engole, é piche. Deus é energia transcendental. Deus é Andrômeda. Deus é Atlântida. Deus é Pompeia, Chicago e Nagasaki. Deus é a arte, o sublime e o grotesco. Deus é Zeus. Deus é Iansã. Deus é uma nebulosa louca. Deus são as criancinhas ranhentas, a chuva torrencial, a água eterna enquanto dure, o sol subindo e descendo, o inigualável verde das plantas, o corpo em movimento, os céus azuis, vermelhos e acinzentados, as infinitas mudanças dos corpos cavernosos. Deus é a margarida, o porco espinho. Deus é a Beyoncé e a Valesca Popozuda. Deus é catar cavaco. Deus é o funk carioca. Deus é a guerra. Deus é a polícia. Deus é o amante traidor. Deus é dívida. Deus é o papel. Deus é a tinta. Deus é o sorvete de pistache. Deus são as aranhas marrons. Deus é o western spaghetti do Clint Eastwood. Deus é a Tailândia. Deus é o pastel da feira. Deus é o dinheiro. Deus é o cabelo anelado, o nariz adunco, o mamilo e o ânus rosáceos. Deus é a porra jorrando louca pra fora do pau. Deus é o suco da buceta. Deus é o meu orgasmo múltiplo. Deus é a queima da Bíblia, mas a paz, não
Deus não é a paz.
Sunday, December 30, 2012
Adeus, 2012! A vida é bela.
Wednesday, December 05, 2012
A retrô-futurista Valsa nº 6 curitibana chega ao centro financeiro do país!
Monday, July 30, 2012
"Valsa nº 6" no evento "A Gosto de Nelson", no Rio de Janeiro!
No mês em que se comemora o centenário de nascimento do escritor recifense-carioca, morto em 1980:
"Valsa nº 6", de Nelson Rodrigues;
Direção de Gustavo Bitencourt;
Com Leonarda Glück;
Estreia Nacional dia 25 de agosto de 2012;
Teatro Glauce Rocha - Rio de Janeiro - RJ;
Expressão Produção;
Vídeo: Leco de Souza
Friday, May 11, 2012
Por um amor de novela
Meu sapato já furou, minha roupa já rasgou, eu não tenho onde morar. O único homem a quem eu seria eternamente fiel me disse não, fidelidade é qualidade de cachorro. Eu, na minha condição intrínseca, com todos os meus problemas, traumas e limitações, amaria, amo, mais do que qualquer outra no planeta. Amo porque me disseram que isso eu não podia, não me era permitido. Amo porque é a minha natureza. Sei que não existe nada disso de amor perfeito, mas ainda pude, brevemente, sonhar. Amar, como uma garota que enlouqueceu e ficou selvagem. Amor de confiança, seja lá o que isso for, é uma vez só. Meu sapato já furou, minha roupa já rasgou, eu não tenho onde morar.
Thursday, February 23, 2012
Florrie no Festival de Curitiba 2012!

Wednesday, January 18, 2012
Quando um dentro do outro é muito, o dente na carne, o pau no cerne
Thursday, November 10, 2011
Friday, October 21, 2011
Friday, September 23, 2011
microparte de estudo pornográfico Žižzichoen I
No primeiro instante, já de pernasabertas, mandou:
- O buraco ta aí, você faz se você quiser, a escolha é tua.
Inconformado e excitado a um só tempo, que figura autoritária de pernas abertas. Hoje em dia os parâmetros tomados são outros, é preciso que se diga. As palavras já não conseguem mais abarcar tudo o que queremos extrair delas, é um esforço penoso, mas excita, e excita muito. Eu, mais uma dessas figuras autoritárias por detrás do pano ecrã tátil, hoje abaixo dos meus dedos, sinto-me muito excitada nesse instante. E devo ainda fazer aqui um apêndice: sinto-me borbulhada de todos os desejos, o buraco ta aí, já ficando torto de tesão.
O rapaz – preciso dizer aqui que se trata de um rapaz pelo aquilo que sensorialmente o corpo diz tratar-se de um rapaz, eu sei o que é um rapaz, no sentido bíblico, a problemática do gênero fica aqui poeticamente subjacente, dada uma certa incompatibilidade de gênios entre esses estudos e o correr fácil literário – avermelhado, arfava, como uma flauta prestes a ser tocada, arfava mesmo com a idéia da possibilidade como ideal, e sim, claro, foderia a moça. Há moças que necessitam muito de ser fodidas, eu, mais uma dessas figuras fodidas por aí, que sinto-me bastante fodida muitas vezes troquei o sentir pelo ser. O transcorrer, o mundo é um atulhado de instituições mortas.
Fodida e iluminada, trânsfuga e translucidamente lúcida. Ficava lúcida após o coito anal, e depois iria limpar os assoalhos!
Tuesday, September 06, 2011
Léo Glück na Edição 4 do Jornal TransNews e na Revista Viração 76!
Friday, August 05, 2011
El Gran Cabaret Porno vem aí!

Wednesday, June 29, 2011
Wednesday, June 15, 2011
De uma simplicidade de polaca

Monday, April 11, 2011
Tuesday, January 18, 2011
Marafonaria Service Room Capítolo Um

Ela pensa em dinamite. Pensa no extremo oriente. Em dois únicos cogumelos explosivos o norte e o sul, como lhe havia dito uma vez o avô desdentado: dentes de quem picota couve. Ordena ao professor que se retire, não há ali espaço para mais nenhuma explicação. O exercício acabara, toda a filosofia aflita acabara. Sim, a cueca está arreada. Por um canto a cabeça do pau mole que escapa. Contínuo, o pau da moça é róseo e combina em gradientes de cor com todas as suas mucosas corporais. Provocam encanto, fascínio, atenção redobrada e tensão. Um tapa havia estalado ali perto, na dobra mortiça, folha dourada mortuária em encantos de Morfeu. Mas ela havia se queixado da cansativa argumentação falha e espúria, porém espirituosa, coisa de quem manda, coisa de quem obedece, classes em luta e tudo o mais, o verde oliva de uns olhinhos miúdos repuxados nos cantos pela pouca idade emocional do pai que já envereda pelo ridículo. De dentro do kocsi, um dia, ali, naquela casinha de porta e muro brancos, eu serei feliz, havia dito o professor malandro, malemolente, rebolativo e um pouco bicha demais, apesar de sexualmente fluente. A rapariga, batizada pela amiga portuguesa sem bigodes, ficou sem graça, fugiu do assunto, mordeu a isca, mentiu a fita, pediu a dica e arriscou: “um dia eu já fui, sabia? espalhafatosa como eu, sempre à beira de uma certa marafonaria avançada, quase congênita e, apesar de censurada, censurável, reprimida e adorada e confundida, fui amada, sim. Em qualquer canto aí desses dos quatro do mundo, eu fui amada.” Ele não devolveu a atenção. Pagou e já estava pensando na esposa em casa, com quem tanto brigava, nas malandrices das namoradas criminosas de seu passado ingrato. Não ouvia mais sua voz, seu corpo. Pensativo e resfolegante, divertia-se com as entrelinhas burlescas da discussão sem volta. Em algum recôndito ardido de sua memória podia ouvir-se, lenta e pausadamente: “nós somos o encontro de duas tristezas”, acendeu um cigarro e fumou, como se fumando apagasse o próprio filho que cresceria sem orgulho de um pai-mãe tão repetitivo em seu papel social.
Tuesday, December 14, 2010
Calor subindo na ossuda encosta
Colada na base cambiante de cumulus & nimbus
Raios, tormentos & trovões perpassando cada célula do meu ser indisponível & terreno
Eu sorrio no alto, cruzada, cruzeira
Em riste um dedo, na língua uma palavra úmida, babosa
Presa na chuva sem pressa de um amor possível
Esgotada de águas fronteiriças
Areias movediças & mais, além, inconstante como homem que não é senhor de si & medra na hora errada
A meia ensopada & as dobras carnais sonolentas
Doridas, lambidas & resfriadas
Para a próxima temporada eu guardarei em meus seios o colostro animado que, junto com meu púbis mordido & pelado, te fará reviver das cinzas históricas.
Sunday, November 21, 2010
Troféu Gralha Azul 2010

"REBECCA ou David Começa A Babar" - texto da atriz e dramaturga Léo Glück - encenado em junho de 2010 pela Companhia Silenciosa, é indicado ao Troféu Gralha Azul 2010 na categoria Melhor Texto Original ou Adaptado. É a primeira vez que a curitibana Companhia Silenciosa concorre ao troféu paranaense.
Tuesday, November 16, 2010
Por uma sensibilidade mais palpável ou Eu acabo de acordar tremente

"I'm not interested in how people move, but what moves them"
Pina Bausch
Não, não é com esse apreço fantasioso pelas coisas póstumas que deve-se iniciar algo. Não é com esse início oligárquico e ritualístico de introdução por via qualquer que um começo deve ser esboçado. Não é com a tardia sensação do luto digno e honroso que um início se dá nem tampouco com uma alegria de baixa e fácil satisfação terrena. O início não se dá. A introdução deverá ser mais sentida do que percebida como cognoscível ou até reproduzível. Não se encaixariam aqui feéricas sentimentalidades cristãs ou judaicas quando o que se sente é ulterior, estampado da dignidade do vento e por ele facilmente perpassável, tangível e transubstanciável. O que quero com isso é dizer dos modos cartesianos que simplesmente afrouxaram ao longo dos heroicos tempos de sobrevivência humana, perderam atributos originais em função de sua não aplicabilidade em sistemas sensíveis cuja decodificação não aparece, necessariamente, em letras ou alardes grandes, não existe como contemplação e não pode ser enquadrada por magnificentes discursos de bens e ataques atávicos. A realidade não comporta sensibilidades aguçadas e falantes, pensantes cataclismos de sua condição e carentes de pesquisa aprofundada. É do sujeitar-se ao outrar-se a temeridade do ato, da transposição de angular pedra lapidada para um canto onde - ainda que percebida - não cause mais percalços ou impeça o bom andamento de idiossincrasias cada vez menos conectadas com a percepção do outro integral, integrado em um meio dissoluto, resoluto, passivo, recalcitrante e repetitivo. Estou aqui porque perdi o útero na guerra santa, doei para não perder a graça, a causalidade de um corpo sem funcionalidade secular, porque Munja e sua sabedoria milenar me ensinaram a agradecer os feitos bons e a humanidade que ainda late em nós. Vem do olho, poderoso órgão de sentimentalidade igrejística e templária, uma piedosa subordinação de todos os conjuntos úteis e programáveis da natureza dilapidada em nós. Vem da boca uma escrita ímpia e meticulosa que vira fala facada de dosseis artimanhados por um mundo físico mais refreável e dificilmente descobrível. Munja haverá dito, por esse meu peito que arfa, pelas minhas ancas que acendem todos os fogos das olarias mais latejantes de terra, areias e holística fibra natural. Munja subscrita e capada, uma oitava mais alta na voz, mais alta que o intestino estraçalhado e repousante de boca em boca de cordeiros envoltos em lã itinerante. Ora, se me percebo distribuída, é possível que queira também compartilhar de uma fisicalidade destronável, arcaica e mutante, aberta como poros para a entrada de novos signos sensoriais, luz e sol. Tanto tempo gasto com as especializações mesquinhas que se perdeu a noção do todo, de onde surgem os regimentos e das suas reais motivações terráqueas. É preciso que entendamos que alguns de nós não estão aqui para florir, com um assombro magnânimo de beleza que dura somente até o cair de um dia, que não ultrapassa o primeiro instante de fala ou o toque intencional de sua abertura em operacional flor diamante. O que sobra de tempos em tempos é uma necessidade vitalícia de segredos e réstias de famílias enclausuradas, diametralmente opostas à real felicidade de flores que brotam que geram que parem com dor efusiva incrível e midiática mergulhada em prazeres de sangue etéreo de fiação fictícia de numerabilidade sempre binária, sempre aquilo entre o zero e o um. Eu sou pelo sentir antes de qualquer outro sentido: que venha, que rasgue, que abra e dilacere, que saia, que sofra, goste ou desgoste antes que saia em forma verbo de palavra carne morta, de olho visto enxergado enxertado distorcido e catalogado, antes que o ouvido aja por precocidade, por automatismo, nomadismo ou falta de atenção amor. Munja munida de ampolas históricas vez por outra ainda planta uma indagação em algumas bundas, ou axilas, ou partes destacáveis e defloráveis como aquilo que só os buracos feitos de carne desejam, imploram, pedem, por ajuda ou por delito, por amor ou por complacência, por prazer ou por feitio. O que fica por sentir fica para ser descrito, no devir assassinado, estripado, mal controlado e não sabido. É impuro e injusto o não sentido. Aquilo que não passa pela carne não passa pela alma não passa pela reza não passa por Deus não passa no Cosmos. Aquilo que não passa não pode ser visitado ou discutido, muito diminuto que fica o nosso leque de operações e códigos vazios da gloriosa falta de experimentação. Não carrego uma pátria sem corpo ou de corpo conjunto no coração. Carrego um corpo segregado e dissonante, os rins lustrosos e a espinha erétil de medula e osso buco animal oscilante, vertente escura das pardas raças que sorriem à noite para os outros em uma mata tão escura que é quase como se brilhasse a lua no osso, grifado com o vermelho tenro e escorregadio de uma carne que escapa à cabeça mediana, pequena, incapaz de acolher o sentimento diversificado de todos os ares que respiramos e todos os cheiros, violência, terra e merda humana. Terá ela ouvido da facticidade propícia do flerte? Que seu corpo em amor ama, esquenta e umedece e em guerra enrijece, luta e mata? Que uma mulher só escreve bem se escreve como homem? Como uma ausência patente de signos não comprimíveis constroem a realidade tátil? Os seus filhos jamais serão os meus, cujos dentes irão arreganhar-se na luta contra a falta de criação de sentidos múltiplos, intercambiantes, dissonantes e discorrentes. Se a eles lhes darei dentes, darei ventres, peles e orifícios suntuosos por onde conhecer e aprender a não se brincar com a falta que uma alma perspicaz faz em uma doce aquiescência matinal.









