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Sunday, March 20, 2016

Vem aí Dalton Cabaré na Curitiba Mostra no Festival de Curitiba 2016!

A Curitiba Mostra reúne importantes nomes da literatura e do teatro curitibanos na edição 2016 do Festival de Curitiba, que tem início na próxima terça-feira (22). A atração mescla escritores, diretores, atores e demais criadores naturais da cidade ou que nela estão ou já foram baseados.

O Espaço Cênico convida a Companhia Brasileira de Teatro, a Selvática Ações Artísticas e a CiaSenhas de Teatro para levar à cena obras dos escritores Dalton Trevisan, Manoel Carlos Karam, Wilson Bueno, Alice Ruiz, Luci Collin, Leonarda Glück e Priscila Merizzio.

No próximo dia 24 de março, quinta-feira, a mostra abre com o espetáculo 'Dalton Cabaré', uma mostra da obra do famoso contista curitibano Dalton Jérson Trevisan em ambientação de inferninho, no espaço Guairacá Cultural, na Rua São Francisco, 179 - Centro Histórico da cidade de Curitiba, Paraná, Brasil.









Sunday, November 29, 2015

Sem demora me despeço

Das coisas que amo, qual levar desta vez? Daquilo que me é dado levar, não vejo para onde levar, não sei por onde arrastar dor e carcaça cansada, o fio do caminho íngreme é perdido. Sinto voltar, com a mirada de Maria, a pá de terra sobre o rosto da mãe morta. A memória da naftalina, na turbidez dos sonhos eu aguardo em choro a chegada da luz. O medo desesperado da mão que jamais virá para o abraço, o preço do tempo já cobrado, os fantasmas são covardes. O piscar de olhos já não apaga mais nada, retorna e engole, com a esquina as costas redobram, a iluminação dos deuses veio em forma de moeda gasta: ancinho e caraminguás sem dó. Das coisas que amo, a palma não conseguiu carregar o pó quente dos ossos queridos, a carne sem magia nem sentido, dos anos ficam bolero e foto no porta-retrato empoeirado, a ceifadeira final não conhece limpeza terrena. Com as mãos pego o vão entre corpo vestido e espírito nu, o chorume das lembranças, o doce afeto da criança, teu revólver o cigarro, mata-te a ti já, aqui e agora, que ao mundo tu te demoras a matar. Entre o teu querer e a minha volta morrem pai, filho e todos os espíritos santos, resta sangue, medo e história arcaica. Restam as décadas felizes, o sorriso ingênuo em cujas águas o tempo ainda não cravou seu raio, a neve das têmporas ainda não rasgou tua carne, o teu peito ainda não conheceu terremoto e assombrações, é preciso chorar o choro de anos engolido, é preciso deitar no berço de espinhos da tua felicidade. É preciso desver a seiva para acreditar no amor, é preciso olhar a raça de frente para crer na peste. Das coisas que amo letra, esmero e quimera na fronte, as artérias trepidam, o regalo é a sombra. Das coisas que amo a receita é não levar, é deixar o sonho a vibrar com o socorro entalado na garganta. A moral é o tombo. Grávida, como quem com Lúcifer dormiu, a esperança é abortada. Natimortos, feto e utopia imploram pela vida que jamais terão. Em êxtase a plateia grita, sangrando, o touro cai, nas ruas a lua que gira é perdição e fuga estrelada. Das coisas que amo levo cabeça febril, corpo insultuoso e língua ferida. Das coisas que amo levo o trottoir de uma paixão que atravessa as galáxias descoradas. Das coisas que amo levo a dança infecunda das tripas e o idílio dos porcos no cocho da morte. A vida um sonho enquanto morrer uma verdade sem ilusão.            

Friday, September 23, 2011

microparte de estudo pornográfico Žižzichoen I

No primeiro instante, já de pernasabertas, mandou:

- O buraco ta aí, você faz se você quiser, a escolha é tua.

Inconformado e excitado a um só tempo, que figura autoritária de pernas abertas. Hoje em dia os parâmetros tomados são outros, é preciso que se diga. As palavras já não conseguem mais abarcar tudo o que queremos extrair delas, é um esforço penoso, mas excita, e excita muito. Eu, mais uma dessas figuras autoritárias por detrás do pano ecrã tátil, hoje abaixo dos meus dedos, sinto-me muito excitada nesse instante. E devo ainda fazer aqui um apêndice: sinto-me borbulhada de todos os desejos, o buraco ta aí, já ficando torto de tesão.

O rapaz – preciso dizer aqui que se trata de um rapaz pelo aquilo que sensorialmente o corpo diz tratar-se de um rapaz, eu sei o que é um rapaz, no sentido bíblico, a problemática do gênero fica aqui poeticamente subjacente, dada uma certa incompatibilidade de gênios entre esses estudos e o correr fácil literário – avermelhado, arfava, como uma flauta prestes a ser tocada, arfava mesmo com a idéia da possibilidade como ideal, e sim, claro, foderia a moça. Há moças que necessitam muito de ser fodidas, eu, mais uma dessas figuras fodidas por aí, que sinto-me bastante fodida muitas vezes troquei o sentir pelo ser. O transcorrer, o mundo é um atulhado de instituições mortas.

Fodida e iluminada, trânsfuga e translucidamente lúcida. Ficava lúcida após o coito anal, e depois iria limpar os assoalhos!