Sunday, January 20, 2008

Jesus Vem De Hannover




Em Jesus Vem De Hannover, a desistência da vida é a única condição humana laudável. Em uma obra cujo sentido está para fora do que se vê, é reconfortante saber que o problema, caso exista, não está em nós e sim no eclético atavismo que nos escolhe a seu bel-prazer.
O globo nos aquece e a franqueza brinca. Mil pátrias e uma única bandeira: a rota bandeira da fronteira.
Com ligeiro apego pelo afeto não dado, a sorte certamente não está do nosso lado, porque o humano é a célula-mãe desta obra em cujas profundidades não há meios de se mergulhar.
Somente sente e esquente!



Jesus Vem De Hannover,
de léo glück,
direção de henrique saidel,

estréia dia 14 de fevereiro de 2008,
quinta-feira, 21hs.,
teatro novelas curitibanas,

rua carlos cavalcanti, 1.222,
INFO: www.companhiasilenciosa.blogspot.com.

Thursday, January 10, 2008

LOVELY HILDA


A mulher perguntou ao homem:
você me ama?
não sei exatamente o que isso quer dizer
...ah, então não sabe
são conceitos, não é? e eu não sei o que seja isso de conceitos...
é
hum, hum
as lagartas subiam nos troncos das árvores.
ela: bonitas, não?
ele: tem gente que morre de medo
ela: tem
ele: o melhor é jogar álcool e queimá-las
ela: meu deus!
ele: é, porque elas destroem as folhas, matam a árvore
ela: ah, é? mas são tão bonitas, não? eu não poderia queimá-las por causa da beleza
ele: mesmo sabendo que elas vão destruir as folhas? folha é menos vida... ou não?
ela: também não sei, mas as lagartas parecem mais... mais de carne, hen? e carne tem a ver com a gente
ele: eu me chateio com esse tipo de reflexão
ela: não diga benzinho
ele: você se aborreceu
ela: e com a minha boceta você se chateia?
ele: é melhor eu ir embora...
ela: e esfregando o meu rabo na tua cara você se chateia?
ele: tô indo embora...
ela: e te dando esse tiro no peito você se chateia?
o homem caiu ali no jardim, estatelado. ela só disse "que cara cafajeste". correu. sumiu. um menino viu a mulher correndo até ela sumir. virou-se e pensou: que mulher linda, meu, que rabo! taí uma que eu queria que esfregasse o rabo na minha cara. riu, muito contente.

Wednesday, December 26, 2007


Meus dias de Leonarda, a que quer amor.

Thursday, November 22, 2007

Língua Esperta

Admiro sobremaneira os períodos de plena lucidez que habitam em mim.
Quando sou impelida a amar a pura face que se esconde em meus populosos labirintos internos, sou a fugitiva encontrada, mesclada com a figura permanente e meramente ilustrativa de mim, ilusória a ponto de ser verdadeira.
Não gosto do meu sangue. Luto para esconder minha verdadeira identidade de assassina.
Eu tive uma família pouco proibitiva. Meu primeiro cãozinho, Adam, costumava lamber-me entre as pernas quando todos haviam saído. Se intimidava de fazer isso em frente de outros, embora isso me trouxesse enorme prazer.
Sua língua, grande, ágil e áspera, me sugava de entre as pernas todo o líquido que eu ia derramando. Gosto da testosterona canina desde então.
Eu sofria debaixo de sua língua animal. Sofria de desejo. De comoção carnal.
Queria a todo custo casar-me com aquele bicho malandro que me apresentou definitivamente à feminilidade dissoluta da qual jamais consegui sair.
Já fiz tentativas frustradas com quinas, pés de mesa, agulhas, facões, controles remotos, espigas de milho, trincos, pás de batedeira, sapatos femininos, jarras e sifões de pia mas sem qualquer êxito proeminente.
Falta-me aquele pêlo grosso que envolve a cara terna, o gesto instintivo, a pata sábia.
O corpinho íngreme, a retidão de caráter e a imaginação sadia, os cãezinhos têm agora para mim um valor hierático aumentado.
Quando, por motivos de plena secura íntima, não me umedeço naturalmente o suficiente, dou-lhe de beber a água fria da geladeira na vagina.
Abandono-me à sua sede de cachorro, prévia e propositalmente cansado de vários passeios diurnos. Alimento-me a alma de transformar o corpo em ponte para a conexão verdadeira. Alimento-me da sede de meu cão e de sua língua esperta. Cão que mato logo após o oitavo orgasmo, o sagrado momento de mudar de raça.
Altero o pedigree pelo prazer.
Enterro no quintal corpo e fezes do animal, que me bebeu em doses únicas.

Sunday, November 18, 2007


Porque nem toda possibilidade deve ser postergada.

Saturday, November 10, 2007

DUCK and HEAD - Intimate Moving Cast

Companhia Silenciosa apresenta

DUCK and HEAD


Dramaturgia de Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação de Léo Glück
Elenco: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco

Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280.
Info: 3321-1999 e
companhiasilenciosa@hotmail.com e www.ciasenhas.art.br

Wednesday, October 24, 2007

A truculência. É amor também.




A mera sinopse de uma vida dificilmente inclui os elaborados conflitos e as complicadas tensões da existência.
O marido fora congelado.
Na hora da revolução, um movimento qualquer começa.
Quem é o novo chefe?
O simplório grasnido da mulher não será abafado dessa vez. Não dessa vez.
Mesmo que deva, finalmente, ser internada pela esquizofrenia dos que amam demais.
DUCK and HEAD não deixa de ser uma autobiografia quase literal: sofra você as conseqüências no interior estreito do seu peito.






Companhia Silenciosa apresenta
DUCK and HEAD
Dramaturgia: Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação: Léo Glück
Com: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco



Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280.
Info: 3321-1999 e
companhiasilenciosa@hotmail.com e www.ciasenhas.art.br

Thursday, September 27, 2007

RED MOMENTS

Marcada do meu próprio e irritante sangue, eu passo a odiar meus ossos.
Viver em meu corpo extrínseco de ladra estranha me gasta.
Viúva da minha própria e putrefata carne, não suporto a minha superfície.
Estou amando.
Estou amando mais.
Estou a mando teu.
Para onde meus olhos vão eu vejo minha brilhante e futura vida pagã gravada a fogo nas claras costas que Deus me deu.
Deus me odiou desde o início.
Me apontou o dedo torto e velho e disse: "Vai. Desgraça-te."
E cá estou. Bêbeda como uma condenada. O sexo úmido e desejoso dos longos dedos de quem me condena.
Pedindo a surra dos justos e a porra clássica de quem é feliz por gozar num buraco novo.
No sorteio da vida não pedi para vir intensa. Para vir vadia. Para vir certeira. Para distribuir confusão.
Na boca seca o sangue da noite mal dormida. Nos braços, o roxo, a cor preferida.
No coração a lembrança do que poderia ter sido.
A vista turva e cansada de quem na vida só busca amor.
Lúcido, louco, como for.
Mas que não resista jamais à simples idéia de não ser eterno.

Thursday, September 06, 2007

Wednesday, August 22, 2007

Wednesday, August 01, 2007

MEMORABILIA

Sinta a velocidade!
A expansão dos ossos,
Dos tórridos desejos.
O cheiro de carne pútrida.
A bondade é morta,
Viva a bondade!


Eu não mudarei.
O volume da minha voz não abaixará.
Meus dentes serão para sempre os mesmos.
Meu amor corroerá o mundo.


E um novo, inteiramente inexpugnável, surgido da união de nossas costelas fracas, aparecerá junto com o sol, frio e reluzente.


E assim prosseguiremos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado.

Monday, July 23, 2007

Quero escrever o borrão vermelho de sangue


Quero escrever o borrão vermelho de sangue.
Com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez.
Que não me entendam pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei.
Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua: nada tenho mais a perder.

Thursday, July 12, 2007

pernas longas não vão muito longe








Por que me sinto medíocre? Por que me pus a escrever qualquer coisa, assim, mediocremente?

Ora, que seja...

Assim estou! Assim me encontro. Escrevo para não adoecer, o papel sempre foi meu melhor amigo, e amante.

Estupidez, encontrar fluido vital nas palavras de gente morta.

Estupidez, querer para mim o que pertence ao mundo.

Estupidez, achar que qualquer coisa outra exista que substitua o afeto. O Simples Afeto.

Tristeza é sorrir por imaginar a tristeza longe.

Tristeza é querer a paz quando só houve guerra.

Tristeza é acreditar na segurança própria.

Tristeza é não aceitar somente o afeto.

Meu medo é descobrir-me a mim mesma, é descartar qualquer possibilidade vinda de mim, é negar que a pessoa mais importante para mim sou eu.

Quero amar, mas não cegamente.

Quero meu amor livre.

Quero meu coração enternecido por ver a liberdade do meu amor.

Quero ser livre.

Quero amar tudo que vejo. E viver ainda um pouco para poder contar.

Quero meu coração dividido igualmente nos pratos de sopa dos mendigos, aquecendo a vida intensa das ruas.

Quero poder me enxergar nos olhos frios do mundo.

Saber dividir meu amor profundo.

Tuesday, July 10, 2007

"Eu Sou Eu e Minha Circunstância"




"E não me venham dizer depois que meu título é limitado."

Monday, July 02, 2007

Monday, June 18, 2007

Eu não sou uma boneca de borracha!


Quando meus olhos resolvem falar, meu coração se cala.

E eu quero sugar a medula do mundo!

Desenvolver novas técnicas de divulgação do amor, porque a loucura, boa marketeira, se divulga por si própria.

Sinto o feto de Deus revirar minhas entranhas, semente divina.

Mantenho a trilha florida à distância, por hora prefiro a companhia dos espinhos.

Sendo eu mesma uma bandoleira nata, obviamente que sempre ajudo na fuga dos pistoleiros.

Sangue cigano, espírito nômade, fui assassinada com seis tiros a queima-roupa.

Vivo a vida, seqüência interminável de dias recheados de confusão mental plena e apoteótica.

Mas não se pode ser uma débil mental hoje em dia, pode?

Desde quando operará a humanidade sobre matéria envelhecida?

Matéria envilecida.

Minha mediocridade morreu.

Em todas as esquinas vêem-se montes de lixo sendo atacados por gatos esqueléticos matando uma fome insaciável.

Meu quarto cheio de folhas secas, uma mulher que soluça na escuridão é uma mulher precisando de amor.

Estou sendo atacada.

Logo eu, a sertaneja!

Logo eu, cujos dentes formam a escadaria perfeita para o teu amor.

Logo eu, tão estimulada.

Eles não conseguirão me deter!!

Eu juro!!!

Continuarei a ser tua humilde criadinha, numa saga de luxúria, violação, culpa e remorso.

De vinho, terra e sangue.





Eu sou Alice.

Este território é meu.

O País só é das Maravilhas porque a referência sou eu!

Eu sou Alice, isto me basta.

Monday, June 11, 2007

PEÇA PERDÃO


Um - O que você faz agora, que meu coração está a seus pés?


Dois - Chuto?


Um - Não conseguiremos limpar a sujeira.


Dois - Disciplina e resolução. Não há mais cegueira. Talvez nem energia.


Um - Recolha a imundície quando sair.


Dois - Antes que nos denunciem.


Um Ri.


Dois - Não temos mais material para a reconstrução.


Um - Meu Deus, acabou tudo?


Dois - Acabou.

Wednesday, June 06, 2007

??????Hermenêutica??????




Do Sacrifício de Abraão ao Legado de Charles Peirce





No princípio era uma pata gigante.

E ela se fez pato.

Ela se fez cabeça.

Se fez eterna.





HERMES.
they tried to make me go to rehab and I said no no no...