Showing posts with label Ricardo Nolasco. Show all posts
Showing posts with label Ricardo Nolasco. Show all posts

Monday, April 10, 2017

Eu e meu desejo de ser eu


(para Ricardo Nolasco. Para Momo: para Gilda com Ardor)




Eu negro o suco do meu suor grudado na roupa. Eu escuro imperfeito nadando no sebo do tempo. Eu gordo sedento comendo na borda do vento. Eu e meu desejo de ser eu. Eu claro vexame eu que recebo o gongo retumbante da natureza. Eu transexual sem igual sem moral andando nua nas ruas de uma Curitiba vazia. Eu dessa vez deficiente movendo-me loucamente sem espaço sem tez. Eu mulher parindo com dor sem amor com odor eu e o veneno da beleza. Eu branco cheirando a peste nos repolhais meus ais meus sais só reclamo. Eu e a tristeza de ser homem nos dias de hoje me arrasto. Eu e meu desejo de ser eu. Eu Momo dançante figura que sorri que samba que dança sobre o pó de uma desgraça. Eu essa farsa eu na brincadeira de perder cadeira. Eu de bruços de bode eu e meu lugar de pobre. Eu descalço tremendo percalço a caminho do abrigo. Eu lixo poroso vigor vaidoso de quem escapa para pertencer. Eu Gilda malabarista eu e meus beijos de loucura eu sem doçura pedindo dinheiro e afeto eu sem família eu sem teto. Eu e meu desejo de ser eu. Eu o mesmo eu muitos outros eu unidade multitudinária eu e minha vida ordinária. Eu e a necrofilia das relações conturbadas eu e minhas vacas sagradas. Eu cão sem dono rei sem trono eu uma vida lançada minhas pernas aladas. Eu sem mãe eu sem pai eu e o domínio do mal eu canibal. Eu tremendo de raiva eu babo eu travo eu lingote do humano. Eu sem dano eu canto eu sem pano sem traço meu desenho escasso. Eu e minha magia morrente minha estrela cadente eu sem plano. Eu amor decadente eu furacão dormente eu sem dente eu sem nada. Eu e minha língua fluente eu flâneur cosmonauta inconsequente eu sem pauta eu sem droga. Eu e meu desejo de ser eu. Eu que meu black bloc é bricabraque eu no atraque sem ganhar nem perder. Eu sem temer. Eu intenso eu penso que tenso é saber sem viver. Eu e meus sonhos mais selvagens eu nas ramagens eu pura paisagem. Eu descolado da cena eu terrena eu perene eu serena travesti. Eu obeso de alegrias e benesses eu e a tristeza que engoli. Eu que sofri eu que virei o jogo eu que dei o troco. Eu simulação do acaso eu sem tamanho eu que apago. Eu que me vire eu tortuoso eu que escorro por onde os pés já não pisam. Eu e minhas torres de marfim eu nos calabouços eu nos porões militares eu nos chãos batidos eu e meu giz. Eu e meu ego inflado eu que digo não eu ancião. Eu gato malhado eu escaldado eu outro sim eu sem fim. Eu tabagista enjaulado eu e minha cidade cárcere privado. Eu e minha ilusão eu e minha fábula eu bandido sem alma. Eu prestidigitador do infinito eu que agito eu e meu grito do sétimo andar. Eu e meu desejo de estar. 

Saturday, July 04, 2009

É melhor envelhecer do que viver tudo de novo. Isso também não é meu - Plágio! Mas nunca falei qualquer coisa que fosse inteiramente minha. Tenho dúvidas sobre a originalidade, assim como tenho sobre estruturas estatais. Estamos submersos em um off, mergulhados em um grande e brutal intertexto, o intertexto do primeiro primitivo, a paráfrase da pré-identitariedade. Sento em um sofá, maciez em excesso, relaxo e afundo. Sinto como se a minha pele fosse um corpo mais aderente, meus músculos envolvem as almofadas, sou uma trepadeira acoplada a milênios no coro da "velha sapa gorda". Minhas raízes, folhas, ramificações se alastram. Ora, se faço parte do mundo é para roubar e incorporar ao meu danificado e velho discurso.

Saturday, November 10, 2007

DUCK and HEAD - Intimate Moving Cast

Companhia Silenciosa apresenta

DUCK and HEAD


Dramaturgia de Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação de Léo Glück
Elenco: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco

Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280.
Info: 3321-1999 e
companhiasilenciosa@hotmail.com e www.ciasenhas.art.br

Wednesday, June 06, 2007

??????Hermenêutica??????




Do Sacrifício de Abraão ao Legado de Charles Peirce





No princípio era uma pata gigante.

E ela se fez pato.

Ela se fez cabeça.

Se fez eterna.





HERMES.
they tried to make me go to rehab and I said no no no...