Saturday, February 20, 2010

***BURLESCAS*** desembarca em São Paulo!



As ***BURLESCAS*** desembarcam em São Paulo na primeira semana de março, nos dias 5 & 12, no Kitsch Club (R. Vergueiro, 2676 - Vila Mariana)!




Não dá para perder a maior burlescagem de todos os tempos! ;P







Saturday, February 13, 2010

Prazerosas Mulheres

Belíssimas senhoras, existem muitos homens, e igualmente muitas mulheres, tão tolos, que chegam a crer com muita firmeza nisto: que é suficiente colocar-se a branca touca monacal à cabeça de uma moça, e envolver-se-lhe o corpo no negro burel, para que ela deixe de ser mulher, e não mais sinta os desejos femininos, exatamente como, ao se tornar monja, ela ficasse transformada em pedra. Sempre que, casualmente, escutam coisa contrária a esse conceito, essas pessoas ficam perturbadras, como se tivesse alguém praticado um pecado enorme contra a natureza. Aqueles que agem assim não pensam nem querem ter nenhum respeito pela própria pessoa, pois a eles a simples licença de poderem praticar o que bem entendem não é suficiente para os levar à saciedade; e igualmente não meditam nas grandes forças do ócio e da solidão irrequieta. Igualmente, muitas são as pessoas que creem, com a mesma firmeza, que a enxada e a pá, assim como a pesada alimentação e os desconfortos, impedem os apetites concupiscentes aos que trabalham na terra, tornando-os atrasadões quanto à inteligência e à astúcia; já que recebo ordem da rainha, e não fugindo aos limites impostos por ela, será agradável para mim demonstrar-lhes, mais claramente, com uma pequena novela, quão iludidas estão essas pessoas que daquele modo acreditam.

Thursday, January 14, 2010

Ah, os afetos contemporâneos que eu permito!...


Se meus arroubos falassem da falácia que por vezes enfrentam, de mundos que se entrechocam cartograficamente, pela essência do corpo, pela procura além-tédio e pela imaturidade emocional em que nosso mundo mergulhou....
Se a sensibilidade da Galáxia terminou mesmo, por que ainda o olho brilha e o coração bate mais forte quando vê ou sabe do objeto a ele conectado? Novamente a coisificação! Novamente o retorno de depositar no outro a saída e a explicação de si mesmo. Novamente o outro se foi, como, aliás, ele sempre se vai. O outro não fica, não obedece aos instintos dele próprio, não finca bandeira em terra alguma, não deixa de chorar por isso e repete indefinidamente para o infinito o padrão.
O outro sou eu e o que deixo de ser, quando gamo, quando amo e quando choro sozinha no escuro do meu quarto por ter sido rejeitada mais uma vez, por ter sido amada mais uma vez, das mesmas formas, dos mesmos modos, com as mesmas cores, mortiças ou intensas.
A inscrição das tuas legendas pagãs nas minhas carnes claras e furibundas, a minha eterna imaginação alada, a quem asas eu dei por ser filha minha e eu amá-la, goste eu disso ou não.
Se quando nos entregamos de corpo e língua à filosofia rasteira na cama, suja, de porra, merda e amor, eu te deixo pensar que é só disso que se trata, é por pertencer a uma seita veementemente criticada: a dos que ainda seguem o protocolo normalizado da paixão. Dos que ainda lançam no ar toda a improvável estabilidade da rotina cotidiana e apostam caro nas mutações da sensibilidade coletiva, afundados na inconstância das intensidades que o tempo vivido sugere.
A expansão da vida ainda me matará, penso. Mas é assim que quero morrer. Deixar o planeta embarcando na transvaloração de mim mesma, usada, abusada, talvez decaída mas completamente experimentada e substancialmente alimentada do outro e no outro que no fundo sou eu.
Ainda há novas ambiguações a entrar no caminho, ainda fomento os graus de perigo do meu desejo pela luta, do meu desejo pela impossível possibilidade de plenitude no amor e na esfera social idiotizante que muitos outros aprovam silenciosamente.
Ainda é bom sonhar com ser à prova de balas.

Tuesday, December 08, 2009

Gosto da firmeza frágil das tuas ideias ou A rotina do banheiro


As delícias que eu tive de você não entraram só na carne, meu amor.
Foi mais fundo: foi mais forte.
Eu não tenho culpa se meu corpo, como ele é apresentado ao mundo, não preenche todos os requisitos para o teu tesão.
Os meus buracos são sinceros mesmo assim.
O que eu poderia alegar em minha defesa são os argumentos do meu gênero:
Tenho que me resignar ao destino?
Tenho que me resignar à biologia tortuosa que em mim perdura?
Tenho que me adequar ao aceitável desejo de ser mulher honrosa e reprodutora?
Onde ficam as impressões sensíveis, ou a criação, a partir delas, dos sinais que constroem a linguagem?
As palavras não podem conter tudo.
Imagens e simulacros são meu desejo de ser compreendida.
E amada.
Assim como a tua lembrança - infinita - que me habita corpo, coração e mente.

Friday, October 02, 2009

Hoje, quando ele meteu - eu estava louca de tesão e quase implorava para ele entrar de uma vez - , não foi com força.
Foi suave, batendo levemente nas bordas, nas paredes internas úmidas e deixando a sensação gostosa de que ali era o lugar ideal dele: bem no meio dos meus sucos.
O meu centro reconhece prazer e amor, e estabelece automaticamente as distinções. Como se se tratasse mesmo de um humanóide histérico e mal programado, sempre planejando a junção idílica de ambos.
Quando eu penso na quantidade de homens para quem eu dei nessa vida, a historicidade minuciosa se faz necessária. A listagem dos dez mais já não importa; as melhores gozadas foram, em geral, involuntárias e nem um pouco premeditadas. Aconteceram assim: quando a decisão de alguém se abateu sobre o meu corpo e o revirou.
Nem sempre o amor veio junto, é claro. Nem sempre as minhas preferências vieram junto.
Amar ainda era algo que meu corpo estava para descobrir, mesmo que a quantidade de paus entrando e saindo já formasse uma boa torcida de futebol.
Com alguns eu gozei rápido, ligeiro, sufocando a necessidade de ser amada; outros me deram mais tempo para o balanço e o movimento se esvaía quando eu já não conseguia mais controlar as pernas. Alguns me chuparam e em sua língua eu despejei litros do meu prazer secreto recém descoberto, ainda que o amor que ali faltava não fosse percebido pelos olhos do companheiro complacente. Outros eu chupei como criança encontrando bala escondida, outros com desconfiança, outros, ainda, com medo puro.
Meu corpo veio para o deleite do mundo. Mas todo corpo vem para isso; todo corpo é igual, funcional, prático e sem rodeios. Os apêndices e buracos ficam sempre exatamente nos mesmos lugares em todo mundo.
O amor não.
O deleite maior da minha mente, aquele com o qual todo gozo se torna completo, eu só viria a conhecer muito tempo depois.

Monday, August 03, 2009


"O que é a carne? O que é esse Isso
Que recobre o osso
Este novelo liso e convulso
Esta desordem de prazer e atrito
Este caos de dor sobre o pastoso.
A carne. Não sei este Isso.


O que é o osso? Este viço luzente
Desejoso de envoltório e terra.
Luzidio rosto.
Ossos. Carne. Dois Issos sem nome."

Saturday, July 04, 2009

É melhor envelhecer do que viver tudo de novo. Isso também não é meu - Plágio! Mas nunca falei qualquer coisa que fosse inteiramente minha. Tenho dúvidas sobre a originalidade, assim como tenho sobre estruturas estatais. Estamos submersos em um off, mergulhados em um grande e brutal intertexto, o intertexto do primeiro primitivo, a paráfrase da pré-identitariedade. Sento em um sofá, maciez em excesso, relaxo e afundo. Sinto como se a minha pele fosse um corpo mais aderente, meus músculos envolvem as almofadas, sou uma trepadeira acoplada a milênios no coro da "velha sapa gorda". Minhas raízes, folhas, ramificações se alastram. Ora, se faço parte do mundo é para roubar e incorporar ao meu danificado e velho discurso.

Monday, June 29, 2009

Dançando na Lua

A dor de não pertencer ao corpo, à mente, à cor, à raça, ao gênero, à atribulada condição humana.
E ainda assim ser lenda e dançar na lua!
Qualquer um cujo sonho seja dançar na lua tem o meu amor incondicional e eterno.

Saturday, June 20, 2009

My Lovely Rita


Alto falante

Rodando.

Todas as Rutes introduzem agulhas de tricô em suas vaginas. Rute 1 | Minha pele é minha prisão. Eu me basto. Não preciso de nenhuma cópia de mim ou, o que é pior...


Rute 2 | Uma cópia dele.


Rute 3 | Quero extirpar de minha carne o que quer crescer. Não agüento mais... Vai mais rápido, garota, ou me escorre tudo pela calça.


Rute 4 | E devorar a minha carne e beber o meu sangue. Meu sangue como catchup, sangue espesso, vazar como um balde furado. Conduzo minha cena ao fim no coração do continente morto.


Rute 5 | O que está batendo aí? Será meu coração ou já será o outro? Ao Paraíso cinco mulheres executadas. Fêmeas. Mulheres. Bucetas. Buracos. Covas. Túmulos. Cadáveres. Falar a favor de uma geração morta... Ah, mas ah, antes dos pais morrem as filhas. Patos. Catchup. Continua chovendo. Quero estar só.


Rute 1 | Qualquer pesar em que a memória insista

Recorda a nossa angústia. É uma aflição.

E eu vivo a repetir. Longe da vista...

Longe do coração...


Rute 3 | Quando estou falando de mim mesma e quando ele está falando de mim mesmo, todos nós estamos falando de mim.


Rute 5 | Vejam: ela tirou a roupa e foi para a fama.


Rute 4 | O Reynaldo Gianecchini fez permanente. Ainda assim, a Marília Gabriela continua apaixonada por ele.


Rute 2, debochando, com raiva | Amélia!


Alto falante [Voz metálica.]


O fato ainda não acabou de acontecer e já a mão nervosa do repórter o transforma em notícia. “O marido está matando a mulher. A mulher ensangüentada grita”. A sensualidade esvoaçante em caminhos de sombra e ao dia claro de colinas e angras, no ar tropical infunde a essência de redondas volúpias repartidas. Em torno da mulher o sistema de gesto e de vozes vai-se tecendo... Não entendo nada de arte. Prometi demais? A dor de um sexo num par de olhos.

Thursday, May 21, 2009

AMOR LOUCO


O paraíso é foder como uma bilionária.
Sem pêsames, sem pejo, sem morte.
É deixar os olhos correrem o rio nunca antes visitado. É falar com estranhos. É meter com estranhos altos & morenos em ruas escuras. É se deixar penetrar pelo puro prazer do momento, sem histeria, sem dó, com fanfarra, sem pensar no futuro. O futuro, aliás, deveria ser apenas uma consequência fluída de um contexto pré-estabelecido. O paradisíaco futuro das crianças que se masturbam & se deixam livremente masturbar. O fogo-fátuo dos assassinos sedutores, a boca aberta das voláteis donas de casa em douradas cintas-ligas cheias de comoção futura. O bico do peito endurecido por ter visto um pênis grande de macho. As tripas sangrentas do filho incestuoso de Tiamat. As filhas fodidas pelos pais, os irmãos que se comem em inequívoca congregação da nova carne futura. Os estilhaços da noite, as cascatas de luz fulminante, o imponderável desejo desconhecido.
A justiça não pode ser obtida por nenhuma lei que seja.
Os crimes reais não podem ser cometidos contra o "si mesmo" ou o "outro", mas apenas contra a mordaz cristalização de ideias em estruturas de Tronos & Dominações venenosas.
Porque todo o dinheiro gasto com a beleza será alquimicamente transformado em elixir. Mas não libertinagem estúpida, & sim crimes exemplares, estéticos: crimes por amor.
& porque eu gosto de pau grande, sim.
;)

Wednesday, April 15, 2009

purpose


Eu não sei por onde vou e pretendo. Mas vou.
Eternamente insatisfeita, repetitiva, idiotizante em Curitiba.
A fama é uma estrutura particular de derretimento sensorial, pouco prática, muito erotizável.
Eu tenho um amor gordinho, quentinho, provocante, mas não sou dona dele. Um ódio instaurado pelo patriarcado e pelo capital e amo bolacha recheada de chocolate e Coca-Cola (não, não ponho a Coca-Cola no mesmo pacote do resto). Uma "família" confusa, desapegada. As mãos comidas.
Me masturbo na beirada da cama, com as pernas abertas, como cachorro que fodesse a cama. Os rapazes, os maridos bonitos das outras, os meninos, os velhos, os primos, os sobrinhos. Sinto um desejo enorme. Um tesão que não consigo controlar. Uma busca interminável pela nova atração do dia. Talvez da vida. Gosto de sentir o pau entrando em mim, enfim.
Amigos que me dizem as verdades e as mentiras que preciso ouvir. E, ah, eu me manifesto, escrevo para teatro. Teatro? Já nem sei mais o que isso seja... Pós-pós-pós-pós-pós.
Talvez algum dia eu tenha filhos. Talvez algum dia eu transmita pelo sangue ('pelo sangue?', açoita-me a biologia neurótica) o legado da indigência humana.
Bato fotos, que se divulgam sozinhas. Bato palmas, poucas mas bato.
Sei que não se trata de fazer sentido efetivo e sim buscar algum. Por isso gosto de entrar na vida das pessoas para perturbar o estabelecido. Reinventar o efetivo. Reelaborar o positivo.
O bolso está esburacado. O cabelo é loiro, mas eu não sou uma sex doll. O fetiche entra na gente como papel social. Eu apenas aproveito.

Talvez - e somente talvez - eu seja mesmo romântica.

Wednesday, April 01, 2009

Monday, March 16, 2009

LOS JUEGOS PROVECHOSOS no Festival de Curitiba 2009

as intrigas, o látex e os automóveis irremediavelmente à vista!


LOS JUEGOS PROVECHOSOS
incríveis réplicas de dinossauros robotizados em tamanho natural


Dias 20/03/2009 às 21 horas, 21/03/2009 às 24 horas (meia-noite), 27/03/2009 às 21 horas e 28/03/2009 às 24 horas (meia-noite)
Local: Rua XV de Novembro, Boca Maldita


*****EXTRA EXTRA EXTRA*****
Léo Glück Live In Moscow, de Léo Glück e
Salmon Nela, de Giorgia Conceição
Dia 27 às 15 horas
Local: TEUNI - Universidade Federal do Paraná
***ENTRADA FRANCA***