Saturday, July 04, 2009

É melhor envelhecer do que viver tudo de novo. Isso também não é meu - Plágio! Mas nunca falei qualquer coisa que fosse inteiramente minha. Tenho dúvidas sobre a originalidade, assim como tenho sobre estruturas estatais. Estamos submersos em um off, mergulhados em um grande e brutal intertexto, o intertexto do primeiro primitivo, a paráfrase da pré-identitariedade. Sento em um sofá, maciez em excesso, relaxo e afundo. Sinto como se a minha pele fosse um corpo mais aderente, meus músculos envolvem as almofadas, sou uma trepadeira acoplada a milênios no coro da "velha sapa gorda". Minhas raízes, folhas, ramificações se alastram. Ora, se faço parte do mundo é para roubar e incorporar ao meu danificado e velho discurso.

Monday, June 29, 2009

Dançando na Lua

A dor de não pertencer ao corpo, à mente, à cor, à raça, ao gênero, à atribulada condição humana.
E ainda assim ser lenda e dançar na lua!
Qualquer um cujo sonho seja dançar na lua tem o meu amor incondicional e eterno.

Saturday, June 20, 2009

My Lovely Rita


Alto falante

Rodando.

Todas as Rutes introduzem agulhas de tricô em suas vaginas. Rute 1 | Minha pele é minha prisão. Eu me basto. Não preciso de nenhuma cópia de mim ou, o que é pior...


Rute 2 | Uma cópia dele.


Rute 3 | Quero extirpar de minha carne o que quer crescer. Não agüento mais... Vai mais rápido, garota, ou me escorre tudo pela calça.


Rute 4 | E devorar a minha carne e beber o meu sangue. Meu sangue como catchup, sangue espesso, vazar como um balde furado. Conduzo minha cena ao fim no coração do continente morto.


Rute 5 | O que está batendo aí? Será meu coração ou já será o outro? Ao Paraíso cinco mulheres executadas. Fêmeas. Mulheres. Bucetas. Buracos. Covas. Túmulos. Cadáveres. Falar a favor de uma geração morta... Ah, mas ah, antes dos pais morrem as filhas. Patos. Catchup. Continua chovendo. Quero estar só.


Rute 1 | Qualquer pesar em que a memória insista

Recorda a nossa angústia. É uma aflição.

E eu vivo a repetir. Longe da vista...

Longe do coração...


Rute 3 | Quando estou falando de mim mesma e quando ele está falando de mim mesmo, todos nós estamos falando de mim.


Rute 5 | Vejam: ela tirou a roupa e foi para a fama.


Rute 4 | O Reynaldo Gianecchini fez permanente. Ainda assim, a Marília Gabriela continua apaixonada por ele.


Rute 2, debochando, com raiva | Amélia!


Alto falante [Voz metálica.]


O fato ainda não acabou de acontecer e já a mão nervosa do repórter o transforma em notícia. “O marido está matando a mulher. A mulher ensangüentada grita”. A sensualidade esvoaçante em caminhos de sombra e ao dia claro de colinas e angras, no ar tropical infunde a essência de redondas volúpias repartidas. Em torno da mulher o sistema de gesto e de vozes vai-se tecendo... Não entendo nada de arte. Prometi demais? A dor de um sexo num par de olhos.

Thursday, May 21, 2009

AMOR LOUCO


O paraíso é foder como uma bilionária.
Sem pêsames, sem pejo, sem morte.
É deixar os olhos correrem o rio nunca antes visitado. É falar com estranhos. É meter com estranhos altos & morenos em ruas escuras. É se deixar penetrar pelo puro prazer do momento, sem histeria, sem dó, com fanfarra, sem pensar no futuro. O futuro, aliás, deveria ser apenas uma consequência fluída de um contexto pré-estabelecido. O paradisíaco futuro das crianças que se masturbam & se deixam livremente masturbar. O fogo-fátuo dos assassinos sedutores, a boca aberta das voláteis donas de casa em douradas cintas-ligas cheias de comoção futura. O bico do peito endurecido por ter visto um pênis grande de macho. As tripas sangrentas do filho incestuoso de Tiamat. As filhas fodidas pelos pais, os irmãos que se comem em inequívoca congregação da nova carne futura. Os estilhaços da noite, as cascatas de luz fulminante, o imponderável desejo desconhecido.
A justiça não pode ser obtida por nenhuma lei que seja.
Os crimes reais não podem ser cometidos contra o "si mesmo" ou o "outro", mas apenas contra a mordaz cristalização de ideias em estruturas de Tronos & Dominações venenosas.
Porque todo o dinheiro gasto com a beleza será alquimicamente transformado em elixir. Mas não libertinagem estúpida, & sim crimes exemplares, estéticos: crimes por amor.
& porque eu gosto de pau grande, sim.
;)

Wednesday, April 15, 2009

purpose


Eu não sei por onde vou e pretendo. Mas vou.
Eternamente insatisfeita, repetitiva, idiotizante em Curitiba.
A fama é uma estrutura particular de derretimento sensorial, pouco prática, muito erotizável.
Eu tenho um amor gordinho, quentinho, provocante, mas não sou dona dele. Um ódio instaurado pelo patriarcado e pelo capital e amo bolacha recheada de chocolate e Coca-Cola (não, não ponho a Coca-Cola no mesmo pacote do resto). Uma "família" confusa, desapegada. As mãos comidas.
Me masturbo na beirada da cama, com as pernas abertas, como cachorro que fodesse a cama. Os rapazes, os maridos bonitos das outras, os meninos, os velhos, os primos, os sobrinhos. Sinto um desejo enorme. Um tesão que não consigo controlar. Uma busca interminável pela nova atração do dia. Talvez da vida. Gosto de sentir o pau entrando em mim, enfim.
Amigos que me dizem as verdades e as mentiras que preciso ouvir. E, ah, eu me manifesto, escrevo para teatro. Teatro? Já nem sei mais o que isso seja... Pós-pós-pós-pós-pós.
Talvez algum dia eu tenha filhos. Talvez algum dia eu transmita pelo sangue ('pelo sangue?', açoita-me a biologia neurótica) o legado da indigência humana.
Bato fotos, que se divulgam sozinhas. Bato palmas, poucas mas bato.
Sei que não se trata de fazer sentido efetivo e sim buscar algum. Por isso gosto de entrar na vida das pessoas para perturbar o estabelecido. Reinventar o efetivo. Reelaborar o positivo.
O bolso está esburacado. O cabelo é loiro, mas eu não sou uma sex doll. O fetiche entra na gente como papel social. Eu apenas aproveito.

Talvez - e somente talvez - eu seja mesmo romântica.

Wednesday, April 01, 2009

Monday, March 16, 2009

LOS JUEGOS PROVECHOSOS no Festival de Curitiba 2009

as intrigas, o látex e os automóveis irremediavelmente à vista!


LOS JUEGOS PROVECHOSOS
incríveis réplicas de dinossauros robotizados em tamanho natural


Dias 20/03/2009 às 21 horas, 21/03/2009 às 24 horas (meia-noite), 27/03/2009 às 21 horas e 28/03/2009 às 24 horas (meia-noite)
Local: Rua XV de Novembro, Boca Maldita


*****EXTRA EXTRA EXTRA*****
Léo Glück Live In Moscow, de Léo Glück e
Salmon Nela, de Giorgia Conceição
Dia 27 às 15 horas
Local: TEUNI - Universidade Federal do Paraná
***ENTRADA FRANCA***

Monday, March 09, 2009

LE MAGNIFIQUE NOUVELLE DE LA PASSION no Festival de Curitiba 2009!


O movimento impetuoso metamorfose/sexo/escárnio lança o Zeitgeist à transgressão da carne.
Espíritos absolutos e irascíveis calam-se ao contemplar o lado negro da lua.
O silêncio que antecede a revolta.




FESTIVAL DE CURITIBA 2009
FRINGE - Mostra Novos Repertórios
Dias: 19.3 à meia-noite, 22.3 às 18 horas, 23.03 às 21 horas,24.3 à meia-noite, 25.3 às 18 horas, 26.3 às 21 horas e 29.3 à meia-noite
Local: TEUNI - UFPR

Tuesday, March 03, 2009

The Seven Giants

Then I left the first giant and ran

What I saw was a bunch of leopards coming after me

Since I had no voice all I had to do was fall down

My face against the sands

My eyes couldn’t get opened

Until I had a Coke to drink

And I drank

And I drank

And I was eating meat

And meat was eating me

It was eating my legs and I liked it

I was happy and crying

I cried for love

I cried for hatred

And I saw digital pieces of myself running away

And I laughed

My hair was dark and I was such a huge princess

And my armed guard was cutting off my tongue

And I blinked

I blinked

He came into me I came unto him

God knows what

All the water inside of me was boiling

And my hands were flying

I was a happy child then

Then it all stopped

All at once

And I was cooking bananas and fighting off the second giant

He was puking at my face and I saw the world in green

My eyes were green

And he slapped my face

And I fell down

Right to the floor

And I liked it

The third giant was weak

And I slapped all over his face

I perforated his eyes and he bled

And bled

And bled

And I liked it

Then I drank all his blood and went ahead

Then I did away with his cock and left him with nothing good

And went ahead

Then I saw the fourth giant come

And he was armless

And then I thought where the hell do these giants come from?

And he asked me for help

And I slapped him in the face

Then a bunch of lizards started to follow me

And it was an island

And there was no coffee

My skin colour was the same as theirs

And I was a lizard

And I blushed

They wanted me

I shot them all

And they didn’t die

Then I saw the fifth giant among them

And he was like a drag

And I thought God help me

But God didn’t come and I ran

Ran Ran Ran For My Life

Then I was on my knees trying to pray

When the giant kicked my back

And I fell

And I liked it and I went mad

Everything was spinning

My head was spinning like a wheel

And then I was peeing

And then I was pooing

And then I was fussing

From where the sixth giant came

And I laughed a lot at his face and he slapped me

And tried to rape me

But he was not that allowed

And he cried

And cried

And cried

And I smashed him in my hands and ate him

And the seventh giant came from my throat

And I felt he didn’t exist

I felt my throat didn’t exist

I could see that this world didn’t exist

My voice and my hair didn’t exist

My eyes didn’t exist and I fell down

Right to the ground

And there I stayed for long and long

And there didn’t exist

And the ground didn’t exist

And I didn’t exist

The gun and the tongue didn’t exist

My dreams didn’t exist

And then I sat down and tried to reorganize my ideas.



Tuesday, February 24, 2009

Saturday, January 31, 2009

Hoje acordei totalitária



Preciso me reerguer da morte, pensei eu, as pernas bambas.
Não quero ser uma cínica em um mundo de antílopes tropicais, os músculos já se tinham acalmado, a abertura ínfima já se tinha cortinado novamente.
Todos os descendentes estariam irreparavelmente comprometidos.
Pensei na burrice da reforma ortográfica, nas mãos de milhares de homens que construíram o mundo, em suas pequenas masturbações conjuntas.
Ser aplaudida de pé não me basta mais. Agora quero de joelhos!
Quero todos os buracos arrepiados de uma só vez, em uníssono.
Quero a dupla penetração. Um já não me faz satisfeita.
Quero a morte categórica dos velhos, das crianças e dos pobres-diabos. Torço pelo fim glorioso da raça. Tenho predileção pelos degenerados. A liberdade não é uma idéia.
Eu te roubo o rim sorrindo-te na cara flácida. Eu mato a tua prole bebendo da tua bebida espúria.
É assim que sou: lourinha por conveniência, pela raridade. Pelo assassínio puro da cor.
Eu obrigo os povos a me obedecerem cegamente, quando é pão velho e bolorento o que lhes ofereço. 
A diferença em mim é substancial e evidente, sou palavra coroada. Prego o êxito das doutrinas destruidoras, o preço do ouro e as guerras econômicas enquanto é pelo rabo que gozo meu jato de sangue ímpio.
A verdade do povo não é minha verdade.
O Anticristo virá através de meu corpo sedento de amor.
Cada uma de minhas vítimas, diante de Deus, vale milhares de cristãos. 

Tuesday, January 13, 2009

'' segue o crepúsculo sem solavancos, eu me solto na beirada. Faço sem fluência o malfadado percurso dos deuses. Me adianto às respostas negativas e estapeio a cara da necessidade...

Cada tiro único eu dei no pé. Eu acerto em cheio a boca da morte sem pedir socorro. Em mim, tumba coberta de pó secular, ninguém aposta no jorro sangrento da vida.''

Wednesday, December 24, 2008

2009




todos os dias tentamos esquecer que o desenfreado desejo pelo poder mata.

que o eterno cheiro de pólvora & esperma ainda invade nossas dilatadas narinas.

e que a humanidade é, sim, uma belíssima esperança perdida.









vem aí mais companhia silenciosa no fabuloso dois mil e nove.    :)

Sunday, December 21, 2008

on zona autônoma temporária by hakim bey





A proposta de revolução compartimentada, ou, para usar palavra do autor, levante, de Hakim Bey, sugere uma não-permanência de estado que, talvez justamente por ser humana e realista demais, ainda não chega a reparar nossa infinitesimal escassez de liberdade.

Ainda assim, como prazeroso expediente emergencial para as insistentes agruras do famigerado sistema político-social mundial, qualquer zona autônoma temporária sugerida libera feixes de energia quimérica que podem propiciar mais atenção sobre aquilo que o autor classifica como o inútil martírio resultante de confrontos diretos com o Estado e suas sujeições.

A leitura de TAZ - Zona Autônoma Temporária faz-se, então, primordial para a tenção de demolição da eterna opressão e do totalitarismo instaurados na história da humanidade desde tempos imemoriais em um mundo que já não suporta mais rever seus próprios e remotos conceitos pela pura e simples pusilanimidade do licencioso capital. O conteúdo de transformação social que há em toda zona autônoma temporária é eficaz pelo tempo que dura e pelo efeito irreversível que provoca. Pode não durar para sempre tanto quanto também pode para sempre permanecer em quem a vivenciou de algum modo: é essa a idéia de reforma revolucionária intensa de Hakim Bey, autor cujo nome por si só já constitui uma TAZ (ou ZAT, em português), uma vez que não se sabe se é verdadeiro ou não, se realmente existe ou não.              

Não há — ainda e infelizmente — como escapar inteiramente ao sofrimento terreno, mas há, e isso Bey com maestria nos sugere, com seu “anarquismo ontológico”, como amenizá-lo e até driblá-lo com deleite.

Friday, December 19, 2008

Foi então que vi o Pêndulo!

A esfera, móvel na extremidade de um longo fio fixado à abóbada do coro, descrevia suas amplas oscilações em isócrona majestade.

Eu sabia — mas quem quer que o tivesse advertido no encanto daquele plácido respirar — que o período era regulado pela correlação entre a raiz quadrada do comprimento do fio e a do número π, o qual, embora irracional para as mentes sublunares, relaciona, por alguma razão divina, a circunferência ao diâmetro de todos os círculos possíveis — de modo que o oscilar de uma esfera de um pólo a outro decorre de uma arcana conspiração entre a mais intemporal das medidas, a unidade do ponto de suspensão, a dualidade de uma dimensão abstrata, a natureza terciária do π, o tetrágono secreto da raiz e a perfeição do círculo.

Sabia também que na vertical do ponto de suspensão, na base, um dispositivo magnético, transmitindo sua atração a um cilindro oculto no cerne da esfera, garantia a permanência do movimento, artifício disposto para contrabalançar as resistências da matéria, mas que não se opunha às leis do Pêndulo, antes lhes permitia manifestarem-se, porque no vácuo qualquer ponto material pesado, suspenso da extremidade de um fio inextensível e sem peso, que não sofresse a resistência do ar nem o atrito com seu ponto de apoio, teria oscilado de modo regular por toda a eternidade.

Wednesday, December 17, 2008

Léo Glück no Jornal Tiragosto!

Uma das melhores escritoras brasileiras de todos os tempos se chama Léo Glück. Ela estréia hoje – vejam que honra! – nossa nova seção de sexo no JTG. Confiram!





Em



Sunday, November 30, 2008

Os meus esforços para ser mulher


Solta assim e amparada por muitas mãos, eu quero você aqui dentro.
Se escapar momentaneamente, eu logo dou um jeito e engulo tudo de novo.
Não gosto de me sentir tola e sozinha. A minha novidade no mundo não é a originalidade, esse mito desgastado e puído pelo uso desmedido. Gosto de ser bem servida de vara.
Gosto de ser abusada.
Gosto de ser descarada (mas cara).
Gosto de ser mascarada, apertada, batida, espremida até gozar....
Gosto de ser chupada no rabo e na alma.
É defeito obedecer aos instintos?
Se sim, então sou defeituosa por demais!