Monday, April 21, 2008

Minha Amiga Rúbia


Rúbia diz:
Pare de dizer tolices.
Rúbia diz:
Como vais?
Leonarda diz:
Criatura estúpida!
Rúbia diz:
Mas o que é isso?
Leonarda diz:
Já sei quem é você...
Leonarda diz:
Está sendo rastreada.
Leonarda diz:
E eu SEI quem é você, queridinha.
Leonarda diz:
Burra, além de tudo.
Rúbia diz:
Mas então vamos lá...
Rúbia diz:
Quem sou eu?
Leonarda diz:
Uma mal amada...
Leonarda diz:
Acertei???
Leonarda diz:
Ou devo dizer "não-amada"???
Rúbia diz:
Mal amada deve ser sua avó!
Leonarda (máxima acidez) diz:
hahaha
Leonarda diz:
Ele não ama você, sua monstra!!!
Leonarda diz:
Ele ama a mim!!!
Rúbia diz:
Isso é que nós vamos ver!
Leonarda diz:
Com que nível de gente você acha que estamos lidando, hein???
Leonarda diz:
Ignorante, como você?!!!
Rúbia diz:
O que está a dizer?
Leonarda diz:
Você precisa é se conformar. O caso de vocês acabou!!! ACABOU!!!
Rúbia diz:
Não é bem assim rapariga!
Leonarda diz:
Passe o bastão, queridinha.
Leonarda diz:
Não aja como uma velha louca!
Leonarda diz:
Uma desesperada por homem!
Leonarda diz:
Tenha dignidade!
Rúbia diz:
Eu não a conheço para discutir sobre isso...
Leonarda diz:
Pois é, mas isso que você está fazendo é "ilegal"!!!
Leonarda diz:
E você pode acabar na cadeia!!!
Leonarda diz:
Que, pelo jeito, é o seu lugar...
Rúbia diz:
Isso não vai acontecer!
Leonarda diz:
Veremos
Rúbia diz:
E se acontecer até lá terei resolvido a minha pendência...
Leonarda diz:
Não sei como é isso em seu país, mas damos um jeito aqui mesmo, no Brasil, com a Polícia Internacional...
Rúbia diz:
Ele não vai ficar com você!!!!
Leonarda diz:
Mas como pensa você em resolver a tua pendência na ilegalidade?
Rúbia diz:
No Brasil, querida, nada se resolve!
Leonarda diz:
Isso é muita baixaria!
Leonarda diz:
Coisa de mulher baixa, sem amor próprio.
Rúbia diz:
Bom, estou a me ir...
Rúbia diz:
Foi um prazer, Leonarda.
Leonarda diz:
Todos os envolvidos irão ficar sabendo disso. Tola.

Thursday, April 03, 2008


acordar pode ser cheio de surpresas

Wednesday, March 26, 2008

Jesus Vem De Hannover por Nelson de Sá

"Onze da noite, hora de ir ao Fringe, no teatro da Federal, com a Mostra Novos Repertórios, mais experimental e, em geral, com melhor produção. Era “Jesus Vem De Hannover”, peça sem linearidade, antes seqüência aleatória de cenas em que um ou outro personagem se repete, mais pela presença dos atores que por nexo. Foi exasperante durante parte do tempo, mas a direção promete. Sabe o que faz, ergue cenas com invenção visual e dramática que faz lembrar Zé Celso ou Gerald Thomas. E é um menino, aliás, ele operou em diálogo contínuo com o palco através da luz, do som, da projeção e até de uns aquecedores móveis que resumiam a ironia que escorreu do espetáculo. Poderia ter programa para identificar personagens e atores, alguns muito bons."


Nelson de Sá


Fonte: Cacilda Blog de Teatro

Wednesday, March 19, 2008

'DUCK and HEAD' na Mostra Novos Repertórios 2008

A BELÍSSIMA ESQUIZOFRENIA DOS QUE AMAM DEMAIS

A Companhia Silenciosa apresenta novamente
DUCK and HEAD

Dramaturgia de Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação de Léo Glück
Cast: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco
Onde: TEUNI - UFPR (Prédio Histórico)
Quando: Dia 24.03.2008 às 15 Horas.
Mostra Novos Repertórios - Festival de Curitiba 2008
Info: www.companhiasilenciosa.blogspot.com




A truculência.
É amor também.

Thursday, March 06, 2008

O Faqueiro De Górgona Ou Górgona E As Mil Facas Encantadas

Avdótia Romanovna. Ah, sinto que o Senhor nos brindou com um dia contentíssimo e cheio de satisfações. Esta refeição que acabamos de fazer é prova incontestável disso.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Estamos bebendo suco de lagarto há quase dois meses.

Pulkéria Alieksándrovna. Calango.

Avdótia Romanovna. Bem, me sinto alimentada. Não é somente de comida que um ser humano se alimenta.

Afanassi Ivánovitch. Só comida me alimenta.

Avdótia Romanovna. Também é preciso cuidar da alma. Algumas coisas, como nossa alma, são insubstituíveis.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Saco vazio não fica em pé, minha mãe dizia.

Avdótia Romanovna. Isso diz bem da formação que o Sr. recebeu, Sr. Afanassi. Está com a matéria repleta e a alma vazia.

Pulkéria Alieksándrovna. Vou lavar a louça.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Preciso do meu respirador artificial. Não estou conseguindo respirar direito.

Nikodim Fomitch. Quando estava entrando, encontrei uma carta no chão da porta, do lado de dentro. Vejam.

Pulkéria Alieksándrovna. Meu Deus, é da companhia elétrica.

Avdótia Romanovna. Vão desligar a luz.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Vamos alimentar a alma, vamos alimentar a alma.

Pulkéria Alieksándrovna. Não é hora para piadas, Afanassi.

Avdótia Romanovna. Mamãe, a quem a Sra. encarregou de pagar a conta da luz? Não foi ao próprio Sr. Afanassi? Então, por que o espanto?

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Não me lembro disso.

Avdótia Romanovna. Mas eu me recordo, e muito bem. Foi bem aqui, nessa cozinha. O Sr. ainda disse “querida, por que não manda nossa adorável Avdótia Romanovna? Temo que posso não controlar-me o suficiente...”

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Não era a isto que eu aludia.

Avdótia Romanovna. Ah, o Sr. nunca alude a nada.

Nikodim Fomitch. De qualquer forma, o aviso diz que vão apagar a luz.

Pulkéria Alieksándrovna. Meu bem, o que você fez com o dinheiro da luz?

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Isto tudo são intrigas da pequena Avdótia. Ela está tentando jogar-nos uns contra os outros, não vê?

Avdótia Romanovna. Que descaramento. Some com o dinheiro e ainda tem coragem de nos insultar a inteligência. O que aconteceu foi que ele bebeu o dinheiro da luz.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Pulkéria, você sabe que parei com a bebida há anos. Hoje em dia só tomo licores, em ocasiões especiais.

Nikodim Fomitch. Sim, e ele tem duas garrafas de licor de erva-doce embaixo dos lençóis.

Avdótia Romanovna. Ah, dormir é uma ocasião especial, então. Principalmente em se tratando de um beberrão que se diz insone.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Vocês bem sabem que foi o meu médico, o bom Dr. Svidrigáilov, quem me receitou a erva-doce.

Pulkéria Alieksándrovna. Mas não era para uso tópico?

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Eu a consumo como quiser. Vocês estão começando a me irritar.

Nikodim Fomitch. Meu bem, vamos dormir.

Avdótia Romanovna. Dormir coisa nenhuma, Nikodim. É-me extremamente desagradável compartilhar do mesmo teto desta criatura.

Pulkéria Alieksándrovna. Avdótia, meu bem, não seja tão cruel para com o Sr. Afanassi. Ele tem estado doente.

Avdótia Romanovna. Doente? De que? O único mal de que o Sr. Afanassi padece, mamãe, é a sem-vergonhice. É a gandaia.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. A Srta. tem inveja. Casada com essa religião estúpida e castradora que não a permite manifestar os instintos.

Avdótia Romanovna. Manifestarei meus instintos arranhando a tua cara e pisoteando a tua roupa, ladrão.

Nikodim Fomitch. Meu amor, é melhor se acalmar. Os vizinhos irão reparar.

Pulkéria Alieksándrovna. Também não aprovo a atitude indolente de Afanassi, mas isto não é motivo para que nós percamos todo o respeito uns pelos outros.

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. A Srta. Avdótia, por sua vez, jamais teve respeito por mim.

Avdótia Romanovna. E era para menos? O Sr. nos leva à miséria e à autodestruição. Sabe que rezo para a sua alma, Sr. Afanassi?

Afanassi Ivánovitch Vakhrúchin. Pois deveria parar de rezar pelos outros e rezar somente para si mesma, Srta. Avdótia. A vida não tem se mostrado em todo o seu esplendor para a Srta. Olhe para essas vestimentas.

Pulkéria Alieksándrovna. Eu costuro sempre que posso mas o tecido já está bastante esgarçado.

Nikodim Fomitch. Eu gosto assim, não ligo para a moda. Não há comiseração.

Saturday, February 16, 2008

Sunday, January 20, 2008

Jesus Vem De Hannover




Em Jesus Vem De Hannover, a desistência da vida é a única condição humana laudável. Em uma obra cujo sentido está para fora do que se vê, é reconfortante saber que o problema, caso exista, não está em nós e sim no eclético atavismo que nos escolhe a seu bel-prazer.
O globo nos aquece e a franqueza brinca. Mil pátrias e uma única bandeira: a rota bandeira da fronteira.
Com ligeiro apego pelo afeto não dado, a sorte certamente não está do nosso lado, porque o humano é a célula-mãe desta obra em cujas profundidades não há meios de se mergulhar.
Somente sente e esquente!



Jesus Vem De Hannover,
de léo glück,
direção de henrique saidel,

estréia dia 14 de fevereiro de 2008,
quinta-feira, 21hs.,
teatro novelas curitibanas,

rua carlos cavalcanti, 1.222,
INFO: www.companhiasilenciosa.blogspot.com.

Thursday, January 10, 2008

LOVELY HILDA


A mulher perguntou ao homem:
você me ama?
não sei exatamente o que isso quer dizer
...ah, então não sabe
são conceitos, não é? e eu não sei o que seja isso de conceitos...
é
hum, hum
as lagartas subiam nos troncos das árvores.
ela: bonitas, não?
ele: tem gente que morre de medo
ela: tem
ele: o melhor é jogar álcool e queimá-las
ela: meu deus!
ele: é, porque elas destroem as folhas, matam a árvore
ela: ah, é? mas são tão bonitas, não? eu não poderia queimá-las por causa da beleza
ele: mesmo sabendo que elas vão destruir as folhas? folha é menos vida... ou não?
ela: também não sei, mas as lagartas parecem mais... mais de carne, hen? e carne tem a ver com a gente
ele: eu me chateio com esse tipo de reflexão
ela: não diga benzinho
ele: você se aborreceu
ela: e com a minha boceta você se chateia?
ele: é melhor eu ir embora...
ela: e esfregando o meu rabo na tua cara você se chateia?
ele: tô indo embora...
ela: e te dando esse tiro no peito você se chateia?
o homem caiu ali no jardim, estatelado. ela só disse "que cara cafajeste". correu. sumiu. um menino viu a mulher correndo até ela sumir. virou-se e pensou: que mulher linda, meu, que rabo! taí uma que eu queria que esfregasse o rabo na minha cara. riu, muito contente.

Wednesday, December 26, 2007


Meus dias de Leonarda, a que quer amor.

Thursday, November 22, 2007

Língua Esperta

Admiro sobremaneira os períodos de plena lucidez que habitam em mim.
Quando sou impelida a amar a pura face que se esconde em meus populosos labirintos internos, sou a fugitiva encontrada, mesclada com a figura permanente e meramente ilustrativa de mim, ilusória a ponto de ser verdadeira.
Não gosto do meu sangue. Luto para esconder minha verdadeira identidade de assassina.
Eu tive uma família pouco proibitiva. Meu primeiro cãozinho, Adam, costumava lamber-me entre as pernas quando todos haviam saído. Se intimidava de fazer isso em frente de outros, embora isso me trouxesse enorme prazer.
Sua língua, grande, ágil e áspera, me sugava de entre as pernas todo o líquido que eu ia derramando. Gosto da testosterona canina desde então.
Eu sofria debaixo de sua língua animal. Sofria de desejo. De comoção carnal.
Queria a todo custo casar-me com aquele bicho malandro que me apresentou definitivamente à feminilidade dissoluta da qual jamais consegui sair.
Já fiz tentativas frustradas com quinas, pés de mesa, agulhas, facões, controles remotos, espigas de milho, trincos, pás de batedeira, sapatos femininos, jarras e sifões de pia mas sem qualquer êxito proeminente.
Falta-me aquele pêlo grosso que envolve a cara terna, o gesto instintivo, a pata sábia.
O corpinho íngreme, a retidão de caráter e a imaginação sadia, os cãezinhos têm agora para mim um valor hierático aumentado.
Quando, por motivos de plena secura íntima, não me umedeço naturalmente o suficiente, dou-lhe de beber a água fria da geladeira na vagina.
Abandono-me à sua sede de cachorro, prévia e propositalmente cansado de vários passeios diurnos. Alimento-me a alma de transformar o corpo em ponte para a conexão verdadeira. Alimento-me da sede de meu cão e de sua língua esperta. Cão que mato logo após o oitavo orgasmo, o sagrado momento de mudar de raça.
Altero o pedigree pelo prazer.
Enterro no quintal corpo e fezes do animal, que me bebeu em doses únicas.

Sunday, November 18, 2007


Porque nem toda possibilidade deve ser postergada.

Saturday, November 10, 2007

DUCK and HEAD - Intimate Moving Cast

Companhia Silenciosa apresenta

DUCK and HEAD


Dramaturgia de Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação de Léo Glück
Elenco: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco

Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280.
Info: 3321-1999 e
companhiasilenciosa@hotmail.com e www.ciasenhas.art.br

Wednesday, October 24, 2007

A truculência. É amor também.




A mera sinopse de uma vida dificilmente inclui os elaborados conflitos e as complicadas tensões da existência.
O marido fora congelado.
Na hora da revolução, um movimento qualquer começa.
Quem é o novo chefe?
O simplório grasnido da mulher não será abafado dessa vez. Não dessa vez.
Mesmo que deva, finalmente, ser internada pela esquizofrenia dos que amam demais.
DUCK and HEAD não deixa de ser uma autobiografia quase literal: sofra você as conseqüências no interior estreito do seu peito.






Companhia Silenciosa apresenta
DUCK and HEAD
Dramaturgia: Léo Glück e Ricardo Nolasco
Encenação: Léo Glück
Com: Giorgia Conceição e Ricardo Nolasco



Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.
Teatro da Caixa - Rua Conselheiro Laurindo, 280.
Info: 3321-1999 e
companhiasilenciosa@hotmail.com e www.ciasenhas.art.br

Thursday, September 27, 2007

RED MOMENTS

Marcada do meu próprio e irritante sangue, eu passo a odiar meus ossos.
Viver em meu corpo extrínseco de ladra estranha me gasta.
Viúva da minha própria e putrefata carne, não suporto a minha superfície.
Estou amando.
Estou amando mais.
Estou a mando teu.
Para onde meus olhos vão eu vejo minha brilhante e futura vida pagã gravada a fogo nas claras costas que Deus me deu.
Deus me odiou desde o início.
Me apontou o dedo torto e velho e disse: "Vai. Desgraça-te."
E cá estou. Bêbeda como uma condenada. O sexo úmido e desejoso dos longos dedos de quem me condena.
Pedindo a surra dos justos e a porra clássica de quem é feliz por gozar num buraco novo.
No sorteio da vida não pedi para vir intensa. Para vir vadia. Para vir certeira. Para distribuir confusão.
Na boca seca o sangue da noite mal dormida. Nos braços, o roxo, a cor preferida.
No coração a lembrança do que poderia ter sido.
A vista turva e cansada de quem na vida só busca amor.
Lúcido, louco, como for.
Mas que não resista jamais à simples idéia de não ser eterno.

Thursday, September 06, 2007